Corvos e gafanhotos


Foi o ano
Em que os corvos e gafanhotos vieram
Os campos drenaram a chuva
Os campos estão sangrando

'Papai não chore, vai ficar tudo bem'
Ela colocou um pouco de água sobre a ferida
E cantarola uma musiquinha
Enquanto sua coragem sangra sobre o chão
Empoçando, empoçando

Vê o assassinato, e o enxame descer
E a noite está ficando densa
A lua contando seus truques
Ela vai traí-la todas as vezes

Foi o ano
Em que os corvos e gafanhotos vieram
Os campos drenaram a chuva
Os campos estão sangrando

Foi a era
Em que as raposas vieram para os campos
Estávamos sangrando enquanto nos curvamos e ajoelhamos
E oramos por misericórdia, oramos por misericórdia

O ronco é baixo e o calor é alto
Sinto que tem chuva no céu negro como óleo
Afugentarei o diabo quando aquele sol nascer
Vou alegar o sangue
Vou alegar o sangue

Foi o ano
Em que os corvos e gafanhotos vieram
Os campos drenaram a chuva
Os campos estão sangrando

Foi a era
Em que as raposas vieram para os campos
Estávamos sangrando enquanto nos curvamos e ajoelhamos
E oramos por misericórdia, oramos por misericórdia

Ela manca até o topo de um monte
Olha para a colheita destruída
Sente seu suor no chão e a queimadura em seu nariz
E sabendo em suas entranhas
Algo ainda vai crescer
Ela não vai embora até que isso aconteça

O que pode lavar o meu pecado
Nada além do sangue
O que pode me fazer completa novamente
Nada além do sangue