Eu moro lá no recanto,
Onde ninguém me amola,
Numa casa ao pé da serra,
Mora eu e a viola,
O sapo mora no brejo,
E o Sabiá na gaiola,
Minha voz mora no peito,
E meus versos na cachola.

Tatu mora no buraco,
Aranha mora na teia,
O anel mora no dedo,
E o brinco mora na orelha,
Coração mora no peito,
Sangue mora na veia,
Gente boa mora em casa,
Criminoso na cadeia.

Porco mora no chiqueiro,
Boi mora na invernada,
Pescador mora no rancho,
Boiadeiro nas estradas,
Boêmio mora na rua,
Sereno na madrugada,
A lua mora no céu,
E o vento não tem morada.

A perdiz mora no campo,
O Bem-te-vi no sertão,
Baleia mora no mar,
Lambari no ribeirão,
Rato mora no paiol,
Morcego lá no porão,
Eu moro nos braços dela,
E ela em meu coração.

Palhaço mora no circo
A rima na poesia,
O Uirapuru lá na mata,
Na festa mora a alegria,
O rico mora no centro,
Pobre na periferia,
Num casebre em Nazaré morou a virgem
Maria.

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