Um toque de viola me faz amarrio
Me faz eu cantar muitas noites de frio
Isto vem de raça meus pais e meus tios
Minha irmandade já vem tudo a fio

Meu avô foi violeiro enquanto existiu
No braço da viola e véio garantiu
Mas só a riqueza ele não possuiu
Morreu pobrezinho mas adevertiu

Não bebo e não jogo de nada aprecio
Mexeu numa viola comigo buliu
Eu falo a verdade porque sou de brio
Eu puxei meus pais que nunca mentiu

Pra puxar uma parma o véio é macio
Falou numa catira o véio aplaudiu
Parece nhambu quando chama no piu
Só pra trabaiá que ninguém não serviu

Como herança ficou o que sempre existiu
O valor de violeiro que é bão produziu
A raça de bambas sempre reluziu
A fama do véio cada vez subiu

Em todo o sertão ele conseguiu
Conquistá simpatia que é bão repetiu
Em todos fandangos que o véio surgiu
Violeiro invejoso de medo fugiu

Meu avô que dizia sempre pros meus tio
Dá valor quem merece de um modo gentil
Cantá bem de viola ou que tenha um bom brio
Largá de bebê pra tê o peito sadio

Nas festas que for cantá bem macio
Um dueto doido que até dá arrepio
As morena rodeia fazendo elogio
E a fama percorre por todo o Brasil

(Pedro Paulo Mariano - Santa Maria da Serra-SP)

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