As vezes penso
Em uma noite enluarada
Nasci na época errada
Minha alma é de outra geração
Não sou da geração coca-cola
Sou fã é de Cartola
Gosto de samba-canção

Samba pra mim tem que ter telecoteco
De preferência no boteco
Não na mansão do Batel
E a poesia para fazer aquele efeito
Tem que bater no meu peito
E não fazer um escarcéu

Não sou da "night"
Gosto da noite mesmo
Não vou ao "point"
Pois não gosto de atropelo
Não sou do fast-food
Mas sou da feijoada
carrego minha "Cruz"
Por não entrar numa "balada"

Pagode pra mim
É reunião da rapaziada
Não samba ruim
Cartaz pra malandro de nada
O salão pra mim sagrado
Solo pra riscado e miudinho
Um passo arrendondado
Não para o qualquer quadradinho
(solo cordas ou sopro)

Levo a vida devagar
Pois ela passa de pressa
E se eu não a chamar
Na certa não me espera
A vida é muito breve,
Pra se esperar tantas horas.
Na fila da ostentação.
Eu prefiro a simplicidade:
Um sal grosso com a moçada,
Ou qualquer bar de verdade.

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