Bolero

Foi por acaso num balcão de um certo bar
E nem sei mais o lugar que eu conheci alguém
Um pobre homem que hoje vive ao abandono
A trocar noites de sono por lembranças de um bem.

Como as comportas que libertam suas águas
Foi soltando suas magoas e contando para mim
Muitos detalhes de uma história de amargura
E uma criatura porque vai chegando ao fim.

Aquele homem me falou apaixonado
Que dois olhos azulados como as noites de luar
De um rosto lindo e um sorriso de menina
Com covinhas pequeninas e sotaque no falar.

Falou ainda de uma pinta no pescoço
Que era quase um esboço do desenho de uma flor
Nesse momento eu lhe disse com surpresa
Meu amigo que tristeza eu conheço sua dor.

Meu bem amigo somos dois amargurados
Pois amamos no passado quem não era de ninguém
O teu relato tão sincero e detalhado
Foi o retrato falado de quem foi minha também.

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