Lá num canto, da fazenda abandonado,
Todo sujo, empoeirado, um pilão se pode ver.
É negro como a asa da Graúna,
Da mais dura Baraúna,
Que morreu pra ele então viver.

Na algazarra da cozinha ele ficava,
E tudo mundo aproveitava, pra socar milho e café,
E era nesse tempo de alegria,
Serviçal que noite e dia,
Trabalhava sem cessar com fé.

E agora, neste instante estou lembrando,
O progresso foi chegando,
E o pilão foi esquecido sim.
Coitado, ninguém mais se lembra dele,
E dá pena ver que ele,
Como um trapo chega ao fim.

Velho pilão sou eu, destino igual ao teu,
Tão enjeitado, abandonado sem ninguém.
Velho pilão eu sou, tão solitário estou,
Quando me invade, esta saudade do meu bem.

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