Eu voltava de viagem e parei pra descansar
Num barzinho da esquina pra uma cerveja tomar
Eu estava ali sentado, quando um sujeito entrou
Barbudo e sujo de barro, veio me pedir cigarro
E do meu lado, sentou

Era um sujeito jovem, dos quarenta não passava
Começou puxar conversa, só pra ver se eu entrosava
Perguntei pelo seu nome, disse: Hoje eu sou um João Ninguém
E ali naquela hora, me contou a sua história
Dizendo: Já fui alguém

Quando eu era mocinho, eu morava lá na roça
Num casebre ao pé da serra, feito de madeira grossa
Trabalhava com papai e mamãe o dia inteiro
Apesar de estar cansado, à noite eu estava abraçado
Com a viola no terreiro

Até bem tarde da noite, era só divertimento
A vizinhança reunida, gostava do meu talento
Mas tudo que é bom, logo acaba, confirma o velho ditado
E um filho da vizinha, achou de fazer gracinha
Só porque estava armado

E naquela ocasião, seu revólver ele mostrou
O meu pai, apavorado, no braço dele, pegou
Guarde essa arma, mocinho, lhe pediu com muito jeito
E sem nenhuma razão, com sua arma na mão
Atirou contra seu peito

Fiquei muito tempo preso, mas o criminoso está morto
Veja estas tatuagens espalhadas em meu corpo
Pra mostrar que fui violeiro, trago a prova bem guardada
E mantendo o respeito, mostrou pra mim em seu peito
Uma viola desenhada.

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