Não tenho toda ginga de Dona Ivone,
nem a musicalidade de Nina Simone,
mas se mais uma vez tá na minha mão o microfone,
claro, tô sabendo que é tudo no meu nome.
Sou Lurdez Da Luz, quem conduz a cadência nesse stereo.
Meu cenário diário é a baixada do Glicério.
Menos eu não quero, não exagero, não é hobby,
foda-se o lobby, tô de corpo inteiro.
Super poderosa é toda menina que bota as mãos pra cima enquanto eu cito a Jovelina:
âCdeixa comigo, deixa comigo eu seguro esse baile e não deixo cair'.
Sem vacilar, sem me exibir, só vim mostrar o que eu aprendi
- por isso sempre digo nunca vou cair,
assim como os graffitis do Cambuci. Sobrevivi a toda loucura que vi, e por aí vai.
Minhas letras como criança sem pai, só que Deus é mais,
só agora eu sei, cada passo que dei, dou, darei
- não foi a Deus dará. Crash! Bum! Bang! Nada pode me parar!


(REFRÃO):
Sigo a risca o que minha mãe sempre diz:
'joga de cabeça só no que te faz feliz'.
Minha mãe diz: âCvoe o mais alto sem perder suas raízes'.
Minha mãe diz: “cabeça em pé por onde pise'.
Minha Mãe diz: “escolha seu caminho então me avise,
no mais a vida toma suas próprias diretrizes'.


Sofisticadamente brasileira como o Zimbo ou Tamba,
minha mistura é ilegal tal qual o pixo ou muamba,
tá em todo lugar e te deixa bem se 'cê é bamba
- se tentar me deter, ajo a la Black Mamba.
Ainda não tem nome, como mambo ou rumba,
mas alguém vai tá ouvindo quando cavarem sua tumba.
A história não credita, as ruas olham e bumba!
Não tinha só Pelé, tinha Garrincha e Umabarauma.
Eu sou só mais uma, uma só, eu sou só mais uma que em suma,
é só uma, é só uma, uma só.


(REFRÃO)


Ah! Como a minha coroinha,
eu nasci sob o signo de câncer,
73, e assim, sempre fui dramático,
um tipo de presença talvez até confusa,
mas real e intensa. Se engana quem pensa que eu não vou até o fim,
entrar com tudo é natural desde sempre pra mim.
Constantemente compelido pela compulsiva crença que o bem vence o mal,
que o crime não compensa, eu penso só no som, amor,
nas flores do jardim, pois quando o xiita grita,
o bicho bomba que nem Bin Laden,
lado a lado com o piloto que pensa em vôo kamikaze como prêmio e não sentença.
Missão impossível, tipo fuga de Alcatraz? Não para esse rapaz,
vá-de-retro Satanás! Retroceder nunca,
render-se jamais - tem que ser como o tempo que não volta atrás.
Sério como quem ouve um aviso,
visão além do alcance de verdade é o que eu viso.
âCViver não é preciso, navegar é preciso'...
sempre lembro do verso,
e um sorriso se expressa nessa face.
Por isso deslizo, me jogo do abismo mas não sou indeciso:
quero sair com a certeza de que fiz o meu melhor, até o dia do juízo.


(REFRÃO)


Faltavam doze anos pro ano 2000,
e eu já torrava o troco do lanche pra comprar vinil,
e no recreio, o resultado: ouvido cheio e barriga vazia,
no tempo em que a maioria das mina só fazia cara de azia ou de asco quando dizia que morava em Osasco.
Landro do áudio, criado na quebrada na moral,
Jardim Santo Antonio, perto da Internacional.
Agora, o cenário é São Paulo capital,
e esse que vos fala é mais um louco do local.
Estilo de instinto, então, prevaleceu,
mas no final cada pessoa é uma pessoa e eu...
Eu sou só mais uma, uma só, eu sou só mais uma que em suma,
é só uma, é só uma, uma só.

Vídeo incorreto?