Se eu pudesse


ela pisou para fora no ar da manhã,
para observar os carros passando e deixar o sol secar seu cabelo.
eu queria dizer à ela
o quanto és bonita
mas eu simplismente fiquei estático.
eu sentei atrás do volante
e observei as gotas de chuva
assim que caíam
no pára-brisa
e corriam para baixo no motor barulhento
e ela juntou todos seus medos
como aviões de papel
e os perdeu nas ávores.
E eu sei que não mereço isso:
a capacidade de sentir
(de sorrir a de chorar e de maravilhar-me)
pelo que eu vivi e respirei
e acordei cada dia limpo,
é nada menos que sua graça
(em um movimento desajeitado e glorioso)