"A tradição
Desse meu fole velho
É conservada na alma do povo
A tradição
Desse meu fole velho
É conservada na alma do povo"
(Trecho de Luiz Gonzaga)

Chegue, se aconchegue menina
Chegue meu bem
Se chegue aqui perto de mim
Que teu calor me faz bem
No arrasta pé, que "bole" "muié"
Que mexe "fulôr"
Que faz suor descer pelo pé, molha meu amor
Faz a palhoça pegar fogo, incendiar coração
Corpo colado ao outro tremendo de emoção
Vai se juntando todo esse chão, deixa solidão
Deixa as palmas de mão bater, deixa a zabumba trazer multidão

Pra ver o dia clarear fazendo a sanfona gemer
Pro meu povo se alegrar, adoçar o viver
Que possa ser o dia mais bonito que já se viu,
Por tudo que se floriu, por tudo que se sentiu
Felicidade explodiu, todo sertão se "buliu"
Todos souberam que foi no Brasil que isso surgiu
Tipo rap com baião, tipo canção com batidão
Tipo Rapadura e véio Gonzagão, a melhor dupla do sertão.

E faz poeira subir no terreiro, levanta defunto no meio do tumulto
Mais chique é o Chico matuto
Todo mundo junto no rala bucho que é o que mais presta
Na batida das panelas João Braz alegrando a festa
Que convidou Januário junto com Zé Macaxeira
Chamou Helena, o Ramalho, não deixa apagar fogueira
Falei com a mulher rendeira, to chegando as lavadeiras
Trazendo a cantiga que mexe com essa caatiga inteira.

Posso sentir teu calor, posso sentir teu amor
Sinto teu cheiro de "fulôr"
E cada sonho que dança nos braços da esperança, canta criança, "comadi", o senhor
Trouxe a cantiga pra abraçar
O amor popular
Trouxe a cantiga pra beijar
O amor popular
A cantoria despertar
O amor popular
Trouxe minha gente pra cantar
O amor popular

Tem tapioca, mugunzá
Arrasta pé pra dançar
Fogueteiro pra alegrar, o fole pra se tocar
Tem gente ainda pra chegar
Vestido pra se rodar
Cabra arretado a cantar, faz a cunhã flutuar.
Os curumins se desembestam quando se encontram
Fazem ciranda, brincam de quadrilha, histórias contam
É coisa linda de ver o repentista, a viola, o vaqueiro, o boi, a caatinga nos mais antigos da escola
Zé neto do acordeon, Patativa de Assaré
Zé do serrado, no som, embolando contra a maré
Teve a embolada no inferno e a embolada no céu
Vamo' aplaudir a segunda beleza pura, é cordel
Pura beleza é frevo, é maracatu, capoeira, tem jumenta alada e cachaça tem de tudo na feira.
Tem cabra embriagado que tem terreno no céu
Tem farinha e rapadura que é mais doce que mel.
Isso é o que me faz feliz, vou celebrar minha raiz
Cantando na feira do livro com Chico de Assis
A transmitir meu calor
Interpretando esse amor
Nessa saga, toque Luiz Gonzaga, meu professor.
Na casa do Cantador, Zé Cardoso e Sebastião
Acendam um lampião, arrocha mais um baião
Arrocha um xote, um maxixe, um forró puro pé de serra
Vem meu amor popular a brotar dessa linda terra.

Posso sentir teu calor, posso sentir teu amor
Sinto teu cheiro de "fulôr"
E cada sonho que dança nos braços da esperança canta criança, "cumadi", o senhor
Trouxe a cantiga pra abraçar
O amor popular
Trouxe a cantiga pra beijar
O amor popular
A cantoria despertar
O amor popular
Trouxe minha gente pra cantar
O amor popular

Eu vou pedir pro Meu Padim mandar uma chuva pra cá
Pra essa lavoura crescer, mandacaru se aflorar
Se todo esse céu chorar, a terra se juntará, o gado vai engordar
As coisas vão "miorar"
Bota "cangaia" no burro pendura tudo que der
Vou vender o que puder
Seja o que Deus quiser
Sou lavrador, trabalhador, sou sonhador cantador
Eu vim da seca, da palhoça pra expressar meu amor
Do curumim pra escola que é preciso estudar
La pra cidade da pedra, ele pode até se formar
É muito boa a leitura
Transforma a criatura
Traz uma nova escritura
Expande a nossa cultura
Toda essa gente tem garra
Tem esperança no peito
Tem tradições, tem talentos e merecem mais respeito
Merecem oportunidade, pois capacidade tem
E é por isso que eu amo o norte nordeste
O verdadeiro tem...

"Eu e me fole
Pela vida fora
Atravessando duas gerações
As alegrias que sentimos juntos
Somos parceiros nas recordações"
(Trecho de Luiz Gonzaga)

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