Escolheram para mim ser um caboclo,
Pensei que o meu trabalho fosse cantar côco,
Mas o que sobrou prá mim foi arrancar tôco
E uma vida de sofrer
Quando eu era pequenino o patrão falava,
Esse é trabalhador, isso me alegrava,
Pega cobra com a mão, eu me apurava,
Não precisa saber ler.

O tempo foi passando comecei amadurecer
Prá comer feijão com arroz, trabalhava prá morrer,
Cada dia que passava o horizonte se fechava,
Mas sentia na cabeça alguma coisa florescer.
Comecei com a sanfona fazer um fungado.
Descobri o dom do côco, côco embolado,
As portas foram se abrindo, dando resultado,
Me senti um cidadão.

Me profissionalizei, penei um bocado
Ler e escrever eram pouco, só alfabetizado.
Na verdade era um caboclo, prá isso fui criado
Reverti a situação.
O tempo foi passando me sinto realizado.
Caboclo de muita sorte, fui por Deus abençoado.
Sou artista Nordestino vou cumprindo o meu destino
Já gravei até um disco posso viver sossegado.

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